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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

"Sofreguidão de poder" - João César das Neves

"Portugal vive uma crise grave. Não tão grave que não haja quem se aproveite dela para ganhar poder. Quando quem o faz é grande responsável pela crise, ultrapassa-se os limites da decência."

Diário Notícias,  Link

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Dupla insularidade" - Renata Sousa

"Longe vão os tempos das duras travessias do mar da travessa nos barcos carreireiros."

Diário Notícias,  Link

"Criatividade na promoção turístico - cultural" - Luís Guilherme de Nóbrega - Professor

"Poupar em cultura não é sinónimo de gastar menos dinheiro  para a actividade cultural, mas  sim,  a de saber utilizá-lo da melhor forma e direccionar as verbas para eventos com os quais a própria região pode posteriormente lucrar em termos promocionais."

Diário Notícias,  Link

"O apelo do Bósforo" - Guillaume Perrier

"Nasceram e cresceram na Alemanha, em França ou na Bélgica. Mas, perante a dificuldade de encontrarem emprego no seu país e para fazerem carreira, cada vez mais turcos da Europa escolhem Istambul."

Presseurop,  Link

" Portugal:Como saltou a rolha da crise " - Stefano Cingolani

"As dificuldades dos países vítimas da crise da dívida não são devidas apenas à especulação internacional e à má gestão das finanças públicas, mas também à sua incapacidade para criar riqueza. É o caso de Portugal, que nunca se adaptou realmente ao euro."

Presseurop,  Link

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"A Europa dos mercados" - António Gomes Mota

"A recente tomada de posição da Chanceler alemã, Angela Merkel, defendendo que os investidores detentores de dívida pública deveriam suportar uma parte dos custos de uma eventual insolvência de um Estado membro Europeu..."

Diário Económico,  Link

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A crise do país é nossa - Paquete de Oliveira

"Entre os portugueses menos entendidos nestas coisas das finanças do Estado está a criar uma certa estupefacção o facto de com a tremida aprovação do Orçamento não terem diminuído os juros da dívida pública que temos de pagar."

Jornal de Notícias,  Link

sábado, 6 de novembro de 2010

"Gestão (pouco) cultural " - Andreia Nascimento, Estudante da UMa

"No planeamento do Voz na Matéria fui seleccionada para falar sobre Gestão Cultural, mestrado em que estou matriculada na UMa. Raramente o fiz. Abordei muitos assuntos de carácter variado mas nesta minha participação vou, pela primeira vez, partilhar um pouco da minha experiência da Gestão Cultural na Madeira.
Sociedade e Cultura Madeirense, Estudos Interculturais, Marketing, Gestão Cultural de Projectos Multimédia e Artísticos, Empreendedorismo, Matrizes da Cultura Ocidental,   Gestão Cultural no Âmbito da Comunicação Global , Análise do Discurso Mediático  e Literatura, Cultura e Media  foram as cadeiras do ano curricular. Com uma propina elevada para muitos, este 2.º ciclo tinha como objectivo a aquisição de competências no sentido de podermos, em contexto laboral, criar e gerir projectos e dinâmicas culturais criativas, através de ferramentas de gestão adequadas.
Outras academias do país prevêem, na sua oferta formativa, este mesmo mestrado. A Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, do Instituto Politécnico de Leiria e a Universidade do Algarve e o ISCTE oferecem este mesmo mestrado onde cadeiras mais práticas e, talvez, mais pertinentes como Princípios Básicos de Contabilidade, Programação de Eventos Culturais, Gestão de Organizações Culturais, Sociologia Cultural, Gestão da Cultura, e Projecto em Cultura, Direito Aplicado à Cultura e Estudos de Mercado da Cultura fazem parte do plano de estudos.
Onde quero chegar? Afirmar que Gestão Cultural na UMa não está bem pensada, que não é um bom mestrado? Não. Não se trata disso. Apenas considero que este mestrado que a UMa oferece necessita de uma urgente reestruturação, pois os próprios mestrandos da UMa continuam a procurar formação suplementar, dentro e fora da Academia. Temos mestrandos que procuraram o curso que teve início no dia 25 de Outubro, num total de 66 horas, no Universo de Memórias? Não seria de esperar que 2 anos lectivos fossem mais do que suficientes?
É benéfica a reciclagem de conhecimentos e a busca por mais e melhor formação, mas será normal que esta procura tenha lugar ainda no decorrer de um Mestrado em Gestão Cultural? Como podemos falar em Gestão Cultural sem abordarmos assuntos como Políticas e Instituições Culturais, Liderança e Gestão de Equipas, Gestão na Cultura: Sustentabilidade Financeira e Angariação de Financiamentos, Financiamentos Públicos, Cooperação e Redes Culturais e Marketing nas Organizações Culturais?
De acordo alguns estudos recentes, o sector cultural representa 2,8% do PIB português e tem taxas de criação de emprego superiores à da maior parte dos sectores da economia. Não será este um motivo mais do que suficiente para exigir a reestruturação deste 2.º ciclo de estudos que mais parece uma licenciatura? Não devemos nós apostar mais na cultura?
Para mim, este Mestrado foi e está a ser muito gratificante, interessante e um desafio às minhas capacidades, principalmente de organização e de gestão do tempo. Contudo, não posso deixar de considerar que, tal como fazem em outras Universidade do país, na Universidade da Madeira deveriam incluir disciplinas mais pertinentes no plano de estudos deste mestrado ao invés de se utilizar verbas para que esses mesmos assuntos sejam abordados em pequenas conferências de 2 horas."

"Os moralistas da dívida" por Paul Krugman

"Se o Estado cortar os incentivos à economia, como querem os moralistas, vamos cavar a própria ruína, com a estagnação a prolongar-se e o desemprego a aumentar"

Ionline,  Link

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"O Orçamento de 2012" - João Duque

"É tradição das monarquias estabelecidas exaltar o novo rei assim que morre o anterior. “- O Rei Morreu! Viva o Rei!"

Diário Económico,  Link

"Um professor incontinente" por JOSÉ NUNO MARTINS

"Em 7 de Outubro fui à Ajuda assistir, no ISCSP [Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas], ao segundo dia das Provas de Agregação em Ciências da Comunicação, do professor universitário e investigador dos media doutor Nuno Goulart Brandão, que, tendo sido durante anos, profissional de televisão, é tido como profundo conhecedor de diversos campos da comunicação. A prova consistia numa lição, perante um júri constituído por sete catedráticos, aos quais o prof. Brandão apresentaria uma aula-síntese, sob o tema "As relações públicas e os papéis relacionais com os media". Fez, que eu vi, um notável exercício pedagógico, fluido, sistematizado e claro, sustentado por constante enquadramento teórico.
O professor catedrático Adriano Duarte Rodrigues ocupar-se-ia da arguição. Mas o insólito acontece. Questionando, com primarismo boçal, matérias hoje classificadas como temática científica em sedes internacionais do conhecimento universitário, o mestre desata em considerações genéricas, bolçadas num nível de linguagem intolerável, acerca dos fundamentos, do campo de acção e dos modelos de desempenho da profissão de relações públicas, que me deixou indignado e revoltado. Rodrigues reduzia o sério esforço pedagógico (que não arguiu) a meras questões vocabulares. E descomedido e chocarreiro, malbarata conceitos estáveis, tripudia teorias hoje indiscutíveis nas academias sérias da comunidade científica, desprezando autores consagrados e investindo a espasmos irreprimidos do seu fel, sobre áreas do conhecimento que assumiu não tanger.
Considerou, todavia, dever interrogar-se se relações públicas não constituirá uma expressão referida às "mulheres de vida pública" e às "relações" usuais em "casas de passe"... Parecia divertido na sua prosódia de abade com que Deus o castigou, a perguntar-se se as relações públicas não serão senão "relações privadas; talvez até, relações mais íntimas entre dois corpos"... Confuso e diabolizador, chega a questionar "se os ditos relações públicas não usam o médium para contactar com o além"... Insultou as profissões e milhares de profissionais oriundos desta área de estudo e nem se eximiu a deixar no ar torpes suspeitas quanto à fiabilidade da tese e da metodologia usada pelo prof. Brandão, sob os auspícios do seu sábio orientador, o professor doutor Paquete de Oliveira, meu ilustre ex-colega e actual provedor do Telespectador, que não estava presente. Ousou a insídia acerca de "comunidades ditas de foro científico que se prestam a estudar tais áreas de formação". E pôde ir por ali fora sem que algum dos outros jurados ou o presidente, cujo nome nem fixei, no mínimo o interpelassem quanto ao baixo nível de linguagem que usava!
Acho que quem mais se deslustra com o injusto impedimento ali imposto, num espectáculo tão degradante e indigno, ao prof. Nuno Brandão não será, certamente, o candidato. O instituto que acolheu provas desenvolvidas em tal registo de iniquidade é o primeiro prejudicado. Depois, são desacreditados, do júri, os membros que não souberam pôr mão, à desonrosa actuação do incontinente. E por fim, o próprio Adriano Duarte Rodrigues. A quem, pelo menos, eu recomendaria o impossível: que se actualize. E se contenha. "

Diário de Notícias,  Link

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Olhe para a Alemanha, não para o FMI" por Ricardo Reis

"O nosso futuro próximo poderá passar muito mais pela Alemanha que pelo FMI. E as notícias de lá podem não ser muito boas..."

Ionline,  Link

O morto de boa saúde por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

"Olha, parece que o Estado-providência morreu! Aliás, é melhor dizer que morreu outra vez, porque já perdemos a conta à quantidade de vezes que nos anunciaram o seu falecimento. Mas ele continua a ser o morto mais saudável que conhecemos.
Nesta monumental tragicomédia em que se tornou a nossa política orçamental (comédia política, tragédia económica) volta a dizer--se que o Estado social, como o conhecemos, vai desaparecer. A razão é a do costume: não há dinheiro. Estas declarações geraram as habituais reacções, do furor indignado à penitência compungida. Só não se vê aquilo que realmente melhoraria a situação: um pouco de equilíbrio e racionalidade. E decência. Mais uma vez, os maiores inimigos da segurança social são os que se dizem seus dedicados defensores.
O Estado-providência é composto por três processos diferentes. O primeiro é um mecanismo de poupança, em que se acumulam descontos no trabalho para se obterem pensões na reforma. O segundo garante seguros contra acidentes, como o subsídio de desemprego e outras prestações ligadas a circunstâncias especiais, apoios na doença, bolsas de estudo, etc. O terceiro elemento é de solidariedade, distribuindo aos mais pobres e promovendo a justiça.
Há séculos que todas as sociedades fazem poupanças, contraem seguros e dão esmolas. Mas nas últimas décadas, nos países ocidentais, o Estado interveio assegurando esses serviços a todos os cidadãos. Assim nasceu a segurança social, sistema nacional de saúde, escolaridade pública, etc. Estas políticas tiveram o aplauso unânime dos eleitores e rapidamente o sistema fez inchar a despesa pública e ocupou a maior fatia do Orçamento do Estado.
Tal popularidade garante que o Estado-providência não vai morrer. Quem o tem quer mantê-lo, e quem não o tem gostaria de o ter. O actual debate americano sobre o sistema de saúde é disso prova evidente. Assim seria bom evitar as declarações bombásticas sobre a sua extinção, pelo menos por parte dos defensores, pois apenas servem para aumentar a emotividade e o nervosismo, precisamente o mais prejudicial ao Estado social.
O único problema é que, por muito populares e poderosos que sejam, os sistemas de apoio social não podem fugir às regras da aritmética. Infelizmente, o oportunismo político tem repetidamente manipulado os termos financeiros do processo, fazendo assim perigar a sua sustentabilidade. Os piores inimigos do Estado-providência não são os neoliberais (que, se existirem, ninguém ouve), a crise internacional ou o sistema bancário. É apenas a estupidez. É espantoso como, sendo uma política que todos dizem defender, tantos façam tanto para a destruir.
Os ataques mais mortíferos são também três, todos partindo dos seus mais fanáticos promotores. O primeiro é o peso da máquina, tantas vezes funcionando para cumprir as suas manias, não para servir o público. Depois vêm os vários esquemas ruinosos que, dando votos no imediato, comprometem a prazo todo o sistema. A demência em descer sucessivamente a idade da reforma perante uma subida da esperança de vida, se não era sabotagem propositada, foi negligência criminosa.
Estes dois problemas estão diagnosticados e, mal ou bem, começam a ser abordados. A reforma da segurança social de 2007 foi um passo importante para a sustentabilidade do nosso sistema. Ainda existe muito irrealismo, como mostram as delirantes manifestações em França contra a subida da idade de reforma de 60 para 62 anos. Mas, apesar de tudo, é uma tolice a convicção generalizada de que em breve não haverá dinheiro para pensões.
O pior dos inimigos, que agora domina Portugal, é a suprema hipocrisia de certos políticos, alguns até auto-intitulados "socialistas", que perante um aperto financeiro por razões alheias ao sistema esquecem as juras de solidariedade e cortam nos apoios aos mais necessitados para manterem benesses dos grupos de pressão.
O Estado-providência não está morto. Nem sequer moribundo. Mas era bom que fosse tratado com um pouco mais de serenidade, realismo e, sobretudo, dignidade."

Diário Notícias,  Link

Dez anos a meter água por MARIA DE LURDES VALE

"Haverá melhor imagem que a do 2.º Juízo Criminal do Tribunal de Vila Franca de Xira para ilustrar o estado em que o País se encontra? Mais importante que o caseiro acordo para a viabilização do Orçamento entre o Governo e o PSD - em casa do professor Catroga não deveria chover - é a notícia de que vários processos ficaram parcialmente destruídos e a maquinaria sem funcionar por causa da água que entrou no contentor que serve de sala do dito tribunal desde o Verão. É tempo e material que se perdem. É dinheiro e trabalho que foram gastos inutilmente.
Este tipo de situações deveria fazer-nos pensar. São retratos de um Portugal que se deixa afundar pela inércia e pela ausência de uma cultura de responsabilização do Estado a quem pagamos e que nos falha naquilo que nos é devido. Se há ocasiões em que vale a pena ser pessimista, esta é uma delas. Só os que não querem ver a realidade é que podem atrever-se a dizer que está tudo bem, que existem muitas oportunidades, muitos casos de sucesso e que é possível, assim como num passe de magia, transformar este quotidiano sorumbático e deprimido num mar de rosas.
Vamos ter um Orçamento do Estado penoso, todos já o sabemos, e até ouvimos o Presidente explicar, na sexta-feira à noite, que a actual situação financeira é muito grave e não se compadece com atitudes que levem a uma crise política.
Já o sabemos. Sabemo-lo há demasiado tempo. Nós e os outros que olham para nós desde fora e que têm os números na mão. A realidade é que o FMI, a OCDE e a Comissão já perceberam que a crise portuguesa não é um problema resultante da crise internacional. É um problema de má governação, de baixo crescimento, de desemprego, de descontrolo das contas públicas e de perda de competitividade. Há dez anos que andamos a marcar passo, que estamos a ser ultrapassados pelos nossos parceiros na União Europeia e até pelos mais pobres - excepto o Haiti - a nível mundial. No relatório das Perspectivas Mundiais que o FMI apresentou há uns dias em Washington está lá tudo: Portugal é a segunda economia do mundo que menos cresceu na última década (6,47%); o nosso PIB é de 223,7 mil milhões de dólares, estamos em 38.º lugar, mas descemos três degraus em dez anos; o nível de riqueza por habitante é de 23 114 dólares, descemos do 34.º lugar para o 41.º, e nenhum país da UE registou uma queda tão abrupta no poder de compra como nós. E, para que possamos ainda ser mais pessimistas, a perspectiva é que, nos próximos cinco anos, Portugal (4,1%), Grécia (5,4%) e a Venezuela (5,8%) serão os países do mundo que menos crescerão.
Significa isto que, depois de uma década perdida, vamos continuar a meter água. Há que arregaçar as mangas e as calças! "

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Faça você mesmo Como num filme, acompanhamos o debate sobre as contas do futuro "pré-fabricado" - Diana Pimentel

"A história é breve: um homem e uma mulher casam. Como presente recebem uma casa, «pronta-a-montar». Embalada num 'kit' compacto, esta morada dos tempos modernos pode ser construída em apenas uma semana. Não demora, portanto. Chegados ao pedacinho de terra que se fará seu, o homem e a mulher trabalham. A casa está pronta e, no entanto, torta. Torta, muito torta. O livro de instruções lido e seguido página a página, a ordem das peças uma a uma, os pregos e as marteladas necessários. E, no entanto, errada. Estranha morada. Ou não. Como em quase tudo o que se desacerta, a explicação é quase demasiado clara: o pretendente - preterido pela rapariga da história - tinha trocado as voltas aos números das caixas e desenhado, no lugar do número 1, um 4 (com mais dois traços, apenas), e, no lugar do número 3, um 8 (com mais duas voltas, tão simples). E assim a ordem se desordenara. Consequência: a tão moderna morada tinha a porta de entrada no primeiro andar; as paredes inclinadas; o telhado curto. Como lá entrar, como lá morar?
A história é de um filme (claro...), uma curta-metragem de Buster Keaton e de Edward Cline, de 1920. Sim, de 1920. Mudo e a preto e branco. O papel de marido é interpretado pelo próprio Buster Keaton e o de mulher por Sybil Seely. No original chama-se "One Week" (o tempo que, na história, a casa demora a ser montada). Vale a pena ver (em Internet Archives: Silent Films, http://www.archive.org/details/OneWeek).
Ora, porquê o cinema, agora? Nestes dias incertos em que a memória parece durar apenas o instante de um rodapé informativo (ou nem tanto), parece-me que estamos, como num filme, a acompanhar o debate sobre as contas de um futuro "pré-fabricado" (o orçamento ou a casa), número a número, agora certo, enfim errado (os cortes, os juros, as caixas do 'kit')...
A história (ainda) não acabou: uma tempestade revolta a casa e a chuva e o vento transformam-na num labirinto. Ela roda numa confusa dança. Passada a tormenta, a notícia: a casa tinha sido montada no lote errado. A casa sobre rodas, agora. E logo depois sobre carris, os de um comboio que se aproxima, depressa. Passou ao lado, ufa. Na ida. Na volta, a casa em escombros, sem ordem nem remendo. E agora?
Não o fim, ainda, ou apenas o do filme (talvez). A história tem uma moral (creio, mas não sei bem...): nestes dias de futuro contado (grão a grão), «pronto-a-montar», um homem sem o seu par desacerta a ordem, os números. A casa cresce, torta (e tarda a endireitar). O futuro é um comboio: ida - e volta.
E agora? O que será da casa (do país)?
"À VENDA" (livro de instruções incluído). "The End"."

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domingo, 24 de outubro de 2010

"Referências" - Vanessa Fernandes, Professora de Ballet

"Cultivamos a nossa mente assim como se cultiva uma semente no solo, que precisa ser regada e cuidada para crescer e dar frutos. Assim somos nós personificados.
Hoje tenho 29 anos de idade, sou professora de Ballet. Tenho a meu cargo cerca de 100 alunos com idades compreendidas entre os 3 e os 25 anos de idade. Diariamente deparo-me com questões, relacionadas com a forma de educar, instruir e cativar alunos. As crianças mais pequenas, fazem o ballet ou a dança moderna como actividade extra-curricular, mas na sua maioria trazem consigo o desejo secreto de poderem ser bailarinas,  e tornam-se sementes fáceis de cultivar. São regadas com o que tenho para lhes ensinar, e querem sempre mais. De tempos a tempos brota uma folha, uma flor...e crescem de forma admirável...e desejo, também eu secretamente, que um dia dêem frutos. Os mais velhos, esses sabem tudo, e qualquer tipo de disciplina é uma seca! Também eles querem ser bailarinos, mas vejo-os muitas vezes sem consciência do que estão realmente a fazer, e sem conhecimento da essência da área em que se estão a formar. Não entendem a diferença entre entretenimento e arte.

Como é que se educa e cultivam crianças e jovens que decidem estudar Ballet ou Dança Contemporânea numa ilha sem referências? Não conhecem mais nada além daquilo que os seus professores lhes transmitem e mostram. Por iniciativa própria poucos são aqueles que procuram saber mais, querer mais, ambicionar mais.
Estabelecido como um grupo de Dança Contemporânea, temos na Região apenas o Grupo Dançando com a Diferença. Outros...para lá caminham, mas não são ainda referências. As referências ajudam-nos a destinguir uma "coisa" de outra. Sem referências não há distinção, sem distinção não há consciência, sem consciência tudo é efémero... De vez em quando, deparo-me com alunos que são jovens promissores. Poderiam crescer, abrir asas e voar, voar pelo mundo, voar em busca das suas ambições, mas deixam-se perder na pequenez dos seus horizontes. Estes poderiam apetrechar as fundações que hoje estão lançadas, enriquecê-las com os seus frutos, e formar as referências do futuro. Secretamente, desejo que ganhem asas, cresçam e dêem frutos, e que um dia tenhamos as nossas referências..."


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"A lucidez de rejeitar o que é mau" - Raul Vaz

"A questão não é saber como estamos, é como vamos estar. O nó está na confissão do ministro das Finanças: “Não vejo muito mais por onde ir se os mercados nos exigirem mais”."

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" Sobre a decência" - Vitor Bento

"Miguel Veiga – um dos “senhores” da nossa democracia – lamentava-se, numa recente entrevista ao “Weekend do Jornal de Negócios”, da falta da “decência” (na acepção britânica do termo) como orientador fundamental da nossa vida cívica."

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"Legendas para a Verdade" - Marco Gomes

"No 'quase' milagre para sair da recessão humana, porque não olhar para a família?"

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