"A vida... e a gente põe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os filósofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os teólogos não entenderam na solidão das celas. Nisto, ou então na conta do sapateiro, na degradação moral do século, ou na triste pequenez de tudo, a começar por nós. Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem. A vida é o que eu estou a ver: uma manhã majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crianças — um rapaz e uma rapariga — silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar. Miguel Torga, in "Diário (1941)" - Link
Go placidly amid the noise and the haste,
and remember what peace there may be in silence.
As far as possible, without surrender,
be on good terms with all persons.
Speak your truth quietly and clearly;
and listen to others,
even to the dull and the ignorant;
they too have their story.
Avoid loud and aggressive persons;
they are vexatious to the spirit.
If you compare yourself with others,
you may become vain or bitter,
for always there will be greater and lesser persons than yourself.
Enjoy your achievements as well as your plans.
Keep interested in your own career, however humble;
it is a real possession in the changing fortunes of time.
Exercise caution in your business affairs,
for the world is full of trickery.
But let this not blind you to what virtue there is;
many persons strive for high ideals,
and everywhere life is full of heroism.
Be yourself. Especially do not feign affection.
Neither be cynical about love,
for in the face of all aridity and disenchantment,
it is as perennial as the grass.
Take kindly the counsel of the years,
gracefully surrendering the things of youth.
Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.
But do not distress yourself with dark imaginings.
Many fears are born of fatigue and loneliness.
Beyond a wholesome discipline,
be gentle with yourself.
You are a child of the universe
no less than the trees and the stars;
you have a right to be here.
And whether or not it is clear to you,
no doubt the universe is unfolding as it should.
Therefore be at peace with God,
whatever you conceive Him to be.
And whatever your labors and aspirations,
in the noisy confusion of life,
keep peace in your soul.
With all its sham, drudgery, and broken dreams,
it is still a beautiful world. Be cheerful. Strive to be happy
(Found in Old St. Pauls Church, Baltimore, dated 1692)
Na natureza, a soberania pertence às forças silenciosas.
A lua não faz o menor ruído e não obstante, arrasta milhões de toneladas de água do mar no vaivém obediente ao seu comando.
Não ouvimos o sol levantar-se, nem as estrelas ocultarem-se. Assim, a aurora da nova vida surge silenciosamente no homem, sem que nada a anuncie ao mundo.
Só na quietude pode o conhecimento do Eu Superior manifestar-se. Somente em profundo silêncio interior podemos ouvir a voz da Alma. Os argumentos ocultam-na e o excesso de palavras ensurdece-a e abafa-a.
A vida ensina-nos silenciosamente, enquanto que os homens instruem em voz alta.
A preciosa descoberta do verdadeiro EU dentro de nós só pode ser feita quando a mente estiver em repouso; as palavras apenas confirmam a realidade, mas não a explicam e jamais a poderão explicar, pois a Verdade é um ESTADO DE SER e não uma torrente de verbosidade.
O argumento por mais inteligente que seja, não substitui a realização pessoal.
Devemos experimentar se queremos viver a experiência.
A palavra “DEUS” não terá sentido para mim, antes de conseguir pôr-me em contacto com o Absoluto dentro de mim mesmo e só então poderei inclui-la no meu vocabulário.
Os grandes problemas da existência individual, os sublimes tormentos da Alma que assediam qualquer pessoa sensata, não podem ser resolvidos na região limitada do cérebro; ao passo que as respostas plenamente satisfatórias, esperam-nos no âmago sem limite do nosso próprio ser, substância divina da nossa natureza oculta.
O cérebro responde com palavras estéreis, enquanto a resposta do Espírito é a vivência maravilhosa da iluminação interior.
O recinto da consciência está no âmago mais intimo de nós mesmos; cada um possui uma porta secreta que se abre para a Luz, mas se não quiser fazer o esforço para abri-la condena-se a si próprio a permanecer nas trevas.
Aprendei a pôr-vos em contacto com o Eu Superior e resolvereis o problema a sós, de forma definitiva e independente do que diga qualquer livro, seja sagrado ou secular.
Alguns chamam de “meditação” este exercício, nome tão bom como outro qualquer. Chamar-lhe-ei REPOUSO MENTAL. A única maneira de entender o que significa exactamente a meditação é praticá-la. “Nem quatro mil volumes de metafísica vos ensinarão o que é a Alma” - exclamou Voltaire.
Como tudo o que tem valor, os resultados da meditação adquirem-se com muita lentidão e assiduidade e trabalho. Porém quem a pratica com o espírito requerido pode estar certo de alcançar a meta. Começamos com as provas experimentais e terminamos com a experiência divina.
A meditação é uma arte quase perdida no Ocidente. Poucos são os que a praticam e entre esses ainda menos compreendem o que estão a fazer.
O hábito de dedicar todos os dias alguns minutos para o recolhimento e repouso mental, prima pela ausência na vida dos povos ocidentais. Contudo, é um hábito de importância vital, cujos benefícios, se praticado, não podem ser demasiado exagerados, mas se negligenciado conduz a tristezas e aflições. Por mais que resistamos a este direito divino sobre nós durante o dia, somos incapazes de resistir ao eu interno durante o sono profundo e sem sonhos.
Então somos capturados pela Alma; então gozamos de repouso na nossa própria natureza, ainda que inconscientemente.
O controle do pensamento é difícil de se obter e as suas dificuldades nos surpreenderão, o nosso cérebro se rebelará. Tal qual o mar, a mente humana está incessantemente activa. Mas tal controle pode ser feito.
No centro do nosso ser mora esse Eu maravilhoso, porém para atingi-lo temos de abrir um canal através de todas as touceiras de pensamentos que o cercam e que nos fazem prestar incessante atenção ao mundo material, tornando-o a única realidade.
Nós os homens modernos, já começámos a dominar a Natureza, mas ainda não aprendemos a dominarmo-nos a nós mesmos.
Ondas infindáveis de pensamentos nos perseguem e oprimem; atormentam-nos durante as insónias da noite e durante o dia permanecem grudados em nós.
Se pudéssemos apenas aprender o segredo do seu domínio e supressão, poderíamos mergulhar num maravilhoso repouso, numa paz semelhante à que segundo S. Paulo, “ultrapassa o entendimento”.
Os cinco sentidos prendem-nos ao mundo material como se fossem de goma e querem um contacto físico constante em forma de objectos, pessoas, livros, divertimentos, viagens, e toda a espécie de actividades.
Só podemos matar o inimigo nos momentos em que os sentidos guardam silêncio.
Dominar a mente é dominar a si próprio.A Alma que controla a maré sempre activa dos pensamentos, pode vestir a farda de capitão e dar ordens à Natureza toda. Eis o que se chama o poder de concentração - a força que faz dos homens VERDADEIROS SENHORES DO PENSAMENTO. Se nos sentimos incapazes de nos concentrar, então um pouco de prática diária nos dará a capacidade que nos falta. Os que procuram meditar, nem que seja por meia hora, com o tempo dominarão a corrente tumultuosa dos seus pensamentos vadios.
A decidida determinação da vontade iluminada de abrir o seu caminho através da sólida montanha de pensamentos e tendências do passado que o homem levantou ao seu redor, receberá um dia a justa recompensa. Ao sair por fim do outro lado, verá a Luz e a Paz que ultrapassam a compreensão (intelectual) humana.
A luz da mente é vaga e difusa no homem comum; cabe-nos encontrá-la até a converter num poderoso farol; depois qualquer que seja o objecto em que projectemos esta potente coluna luminosa, podemos ver claramente e adquirir pleno conhecimento sobre ele.
E este objecto pode ser meramente material ou uma ideia abstracta.
Converter o homem tão constantemente extrovertido num introvertido temporário, é uma das empresas mais valiosas. Ela o capacitará a contemplar picos serenos de puro pensamento.
Esta disciplina pode parecer um trabalho intolerável aos que a intentam, mas a recompensa vale mais do que o seu preço.
O homem-comum é um joguete do meio e das influência externas. É governado por tendências hereditárias e sugestões alheias. Ser capaz de controlar os seus pensamentos na azáfama e pressão da vida moderna, é uma valiosa conquista e a meditação produzirá tal controle. Dentro de nós está a eterna realidade que a crosta oculta. Este é o segredo da vida que tem desafiado os talentos brilhantes de homens ilustres e que será por nós descoberto e se tornará nossa jubilosa posse.
O nosso verdadeiro ser está sempre ali, mas a pressão dos nossos pensamentos e a atenção contínua que prestamos às coisas exteriores através dos sentidos abafam a suave presença do Eu.
Um dos resultados da meditação é capacitar-nos observar como funciona o Eu em relação à máquina intelectual, emocional e física.
Os intelectuais orgulhosos sentam-se nos seus débeis pedestais e esperam ser adorados, quando existe o tempo todo uma divindade habitando nas profundezas do seu coração, que é a única digna de adorações.
O verdadeiro gerador dos seus talentos e criador dos seus feitos, o ser que o satura do princípio de vida e assim lhe permite existir, satisfaz-se plenamente em permanecer em segundo plano, ignorado e despercebido pelos homens.
As grandes minas de diamantes de De Beer, na África do sul, foram descobertas por uma criança ao arrancar um pedaço de cristal negro do muro de uma velha fazenda holandesa, diante do qual, por tantos anos repassara tanta gente completamente alheia ao tesouro nos seus calcanhares!
Quantas pessoas já ouviram o suave murmúrio do seu ser interno ou perceberam a sua delicada orientação, somente para de seguida apagá-los sem nada entenderem?
Se formos bem sucedidos em levantar a ponta do véu da consciência, que o sono profundo representa, poderemos descobrir o significado do céu e da terra. Para o estudante que entrar nesta condição, morrerão necessariamente todos os pensamentos que lhe chegarem.
À mente europeia é difícil conceber um tal estado, em que a consciência humana subsiste sem pensamentos, mas poderá constatar isto pela prática e experiência.
A descoberta de uma “estrela” de cinema é celebrada pela imprensa de todo o mundo, ao passo que a descoberta do eu espiritual de um homem se faz em completo silêncio, sem os louvores do mundo. Saberemos que estamos a ingressar na aura do verdadeiro Eu pela experimentação de um sentimento de felicidade. Este é apenas o estágio inicial.
O último será uma união extática.
Kabir, o poeta-tecelão de Benares escreveu:
“Tendo abandonado as coisas do mundo,
Esqueci castas e linhagens;
Minha tecedura é agora no silêncio infinito.
Kabir, tendo pesquisado e se pesquisado a si mesmo,
Encontrou Deus em seu interior”.
Quando, em nossas meditações, procuramos descobrir o nosso verdadeiro eu, das suas múltiplas máscaras chegaremos por último a um estado interno, que é realmente o mais interessante da vida. Não é inconsciência. Não é sono. Não é sonho. Dentro do seu regaço tornamo-nos conscientes de uma intensa percepção do infinito.
Entrar temporariamente nesta condição transfigura toda a natureza humana.
Quando colocamos a nossa mente em repouso e nos recordamos do que somos, os nossos esforços não necessitam ser mais premiados.
Garantimos o bálsamo para o dia e toda a vida nos parece boa.
Quando a mente se esvazia de todas as imagens e ideias, então ela se torna um espelho claro, em que se reflecte a inefável Divindade.
Os nossos cépticos eruditos nos dirão que estes êxtases espirituais são meros distúrbios do sistema nervoso e os médicos provavelmente os rotularão de “excesso de pressão sanguínea”, ou outra coisa. Há os que quererão investigar estas asserções num solene conclave.
Mais sábios seriam, no entanto se investigassem os seus próprios eus.
Pois não há melhor prova do eu interno do que experimentá-lo na prática.
É desta maneira peculiar que o homem que segue a senda da meditação, começa a acordar para a liderança da sua intuição.
Quando ele principia a sentir o impulso interior despontar nas profundezas do seu ser; quando começa a obedecer a esse impulso, deixando-o conduzir a sua consciência mais e mais para o seu interior; quando se subordina a esse profundo comando, então transporá o umbral do autoconhecimento e ingressará na câmara interna, onde o aguarda o seu ser real.
Uma vez obtida esta experiência, ainda que momentânea, ele compreenderá algo do que quero dizer ao falar do ser espiritual no homem.
Compreenderá que sem a intervenção dos cinco sentidos, nem do sonho, entrou numa condição maravilhosa, em algo que é real e transformador, que jamais experimentara.
No silêncio absoluto da sua Alma, sentirá que pensar meramente é fazer um ruído sacrílego. Neste estado elevado, ao descobrir a presença do seu eu divino, ele percebe que o melhor pagamento por este privilégio é reunir todos os seus pensamentos sobre o altar sagrado e sacrificá-los.
Neste raro momento o intelecto é cremado e de suas cinzas surge a fênix do verdadeiro eu, o imperecível Eu Superior do homem.
Uma sugestão de leitura, se ainda não a conhecerem, claro:
“ Sinto Muito”, é o título do livro (4ª ed. 2008, Lisboa:Verso da Kapa), de Nuno Lobo Antunes, neuropediatra.
Na sua capa podemos ler:
“A vida é tempo entre parêntesis.
Alma a nu, sentimento despido de pudor.
O Amor como razão de Ser e de Viver.”
António Damásio, distinto cientista português, neurologista, escreve o Prefácio ao livro, onde a dado momento diz:
“Sinto muito é sobre o sofrimento em geral, ou se quisermos, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, para depois o desanuviar e torná-lo mais leve”. (pg.12)
Em cada página, Nuno Lobo Antunes, como que nos leva à essência da VIDA, ajudando-nos a intui-la e quase de certeza a desejar valorizá-la ainda mais - esse “tempo entre parêntesis”.
A Vida, esse “fio” tão débil e sensível, que nos liga a esta dimensão, a da Maravilhosa Experiência Humana.
Na contracapa pode ler-se:
“ Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito.
Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóboda, e no fim, ela desaba.
O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda.
O médico provoca o criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.”
A Humanidade no seu melhor
“Na história da minha existência estão cravados os anos que passei nos EUA como especialista em neuro-oncologia pediátrica, isto é, médico do cancro que envolvia o Sistema Nervoso das crianças. Após sete anos de intensa vida hospitalar, em que a violência das emoções atingia, todos os dias, dimensões de drama, a vida surge distorcida. Era um dia-a-dia de derrotas, em que mesmo as vitórias não podiam ser inteiramente celebradas, porque a eminência de uma recaída pairava até ao fim da vida. Um dia sugeri que a nossa equipa usasse uma T-shirt com o lema: it is so sad (é tão triste), porque era a frase que mais vezes repetíamos ao longo do dia. Lembro-me que de férias em Portugal, admirava as crianças a brincar na praia porque já me tinha esquecido de que podiam ser felizes e saudáveis. Em cada cara buscava sinais de dor, em cada corpo estigmas de quem sofreu os efeitos da doença ou do seu tratamento. Esta distorção atingia também as crianças e as suas famílias. Ainda me emociono ao lembrar-me de um rapazinho de 3 anos, sem cabelo ou sobrancelhas, que tinha como habilidade, que demonstrava com agrado, saber o nome dos filhotes de todos os animais: o filho da porca – leitão, da égua – poldro, e assim por diante. Um dia, lembrei-me de perguntar como se chamava o filho da mulher. Hesitou um minuto, mas depois abriu para mim um sorriso matreiro de quem tinha intuído a resposta, para afirmar com segurança: outpatient, - doente de consulta externa …
Muitos me perguntavam como era possível conviver diariamente com o desgosto. A resposta é simples: é um privilégio poder conhecer a humanidade no seu melhor, na Coragem, mas sobretudo, no Amor. Os médicos e enfermeiras com quem trabalhava eram santos, porque, como alguma vez ouvi, os santos não se vêem todos da mesma maneira. Lembro-me de Perez, um rapaz de 15 anos que cansado das náuseas e da dor, desistiu do tratamento para viver, o melhor que podia, os meses que lhe restavam. A mãe aceitou sem discussão a opção do seu filho. Despediu-se do emprego para gozar com ele a Vida. Tivemos o último encontro num jardim de NY, em Outubro, num daqueles dias excepcionais em que o sol abre as cortinas do Inverno. Dia apropriado para um encontro que era, simultaneamente, uma separação. Despedimo-nos com um abraço e um sorriso: até breve. Naquele momento, o tempo não teve dimensão. Mas recordo sobretudo a Jennifer, uma rapariga encantadora de 18 anos, amante de golfinhos, que na roleta dos tratamentos decidiu apostar tudo num transplante que falhou. O pai, no dia do enterro, cobriu o caixão de golfinhos azuis, que na pintura sorriam para ela. Na missa, a mim, seu médico e também carrasco, chamaram-me para a sua banda, e dando-me as mãos consolaram-me de um desgosto tão fundo de que só mesmo eles me poderiam içar. Durante anos, tive a sua fotografia no ecrã do meu computador, para que todos os dias me lembrasse porque trabalhava. Poucos meses depois da sua morte, os pais pediram-me ajuda para lançar uma Fundação com o nome da Jennifer para ajudar na luta contra o cancro. O dinheiro dessa fundação foi direito para o Hospital onde morreu. A Humanidade no seu melhor, na Coragem, mas sobretudo, no Amor.”
( Do livro “Sinto Muito”, de Nuno Lobo Antunes, 4ª ed. 2008, Lisboa:Verso da Kapa – pgs. 27 e 28)
(Enviado pela leitora Rute Milheiro, Barreiro), Saúde e Lar, Junho 2002, pg. 34)
“Depois de algum tempo aprendes a diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. Aprendes que amar não significa apoiar-se e que companhia não significa segurança.
Começas a aceitar as tuas derrotas de cabeça erguida e olhos adiante com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprendes a construir todas as tuas estradas hoje, porque o terreno de amanhã é incerto de mais para os planos e o futuro tem o costume de cair em vão.
Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo e aprendes que não importa o quanto te importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te e de vez em quando, tu precisarás de perdoar-lhe por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se levam anos para se construir confiança e apenas alguns segundos para a destruir, e que tu podes fazer coisas num instante das quais te arrependerás pelo resto da vida. Aprendes que não temos de mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que tu e o teu amigo podem fazer qualquer coisa ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são levadas para longe de ti muito depressa, por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vemos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós e que somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não nos devemos comparar com os outros, mas com o melhor que podemos ser.
Descobres que se demora muito tempo a ser a pessoa que se quer ser e que o tempo é curto… aprendes que não importa onde já chegaste, mas – para onde vais, mas se não sabes para onde vais qualquer lugar serve.
Aprendes que ou tu controlas os teus actos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou, não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja a situação, existem sempre os dois lados.
Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que , algumas vezes, a pessoa que esperas que te chute é uma das poucas que te ajudam a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência e o que tu aprendes com elas.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que os sonhos são parvoíce, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque uma pessoa não te ama da forma que tu queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que amam mas, simplesmente, não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti próprio. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, planta o jardim e decora a tua alma em vez de esperares que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar… que realmente és forte e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais. E que realmente a Vida tem valor e que tu tens valor diante da Vida ! ! ! “
“Quero que todos saibam não estar nas minhas intenções vender uma parcela que seja da nossa terra, nem aceitar que os brancos cortem as nossas árvores ao longo dos rios, muito especialmente os carvalhos. Tenho uma predilecção particular pelos pequenos bosques de carvalhos, cujos frutos muito estimo.
Gosto de observar esses frutos, porque eles resistem às tempestades invernais e aos calores do estio. E tal como acontece connosco, parecem como eles florescer.”
“Tatanka Iotanka, ou Touro Sentado, guerreiro sioux”
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)
“O enfarte agudo do miocárdio pode ter como prenúncio, na véspera ou antevéspera, um mais fácil aparecimento da dor ou do ardor habituais em quem já sofre de angina de peito (e com menos esforços). A maioria das vezes é sentido, quase subitamente, como uma dor a meio do peito, mais forte do que as dos outros dias, resistente à nitroglicerina. Ou então pode aparecer como um raio em céu azul, uma pressão angustiante, ou uma dor excruciante, no peito, com irradiação ao braço esquerdo ou ao queixo, podendo provocar vómitos e sudação, e mesmo a sensação de morte iminente.
Há vários sinais que podem indciar um enfarte agudo do miocárdio: queda de tensão, insuficiência cardíaca esquerda (com edema agudo do pulmão), arritmias malignas evando à paragem do coração ou mesmo um AVC. Mas também pode acontecer – e é importante dizê-lo – que não apareçam manifestações clínicas de enfarte em casos de enfarte silencioso, isto é, sem dor, e só com pequenas queixas que até parecem digestivas!
O enfarte silencioso é mais frequente em doentes diabéticos (com doença isquémica prévia, já de si silenciosa), ou em idosos, mas tem de ser recordado, porque pode acontecer a qualquer um (20 por cento do total, dizem os americanos). Por isso se deve fazer ECG urgente a todos os pacientes com AVC agudos, e casos de diminuição da oxigenação cerebral ou de insuficiência cardíaca esquerda inesperada, com falta de ar, baixa de tensão e auscultação de sinais que indiciem edema pulmonar ou asma cardíaca.
“Não esqueça – um AVC pode ser consequência de uma queda brusca de tensão a seguir a um enfarte do miocárdio. O doente com o AVC pode já não estar consciente para contar as dores torácicas iniciais…A família tora-se o seu único porta-voz!” (p.176-177)
In “O Livro do Coração”, Prof. Fernando de Pádua, 2008,1ª ed.,Alfragide:Academia do Livro.
Lê-se no verso da capa do livro, do Professor Fernando Pádua:
“O coração é um órgão maravilhoso. Exrtremamente eficiente e original, o coração sente e simboliza todas as situações emocionais de alegria e tristeza, esperança ou desilusão, amor e paixão.
Mas, apesar de ser tão importante, nem sempre recebe os cuidados devidos. Existem cada vez mais pessoas obesas, sedentárias, que, sem saber, medem o seu tempo de vida em cigarros e álcool em excesso. As doenças cardiocerebrovasculares atingem hoje números assustadores e a única saída é a prevenção.
No Livro do Coração, o Professor Fernando de Pádua ajuda, de forma simples e acessível, a perceber o funcionamento do coração, as principais doenças, os comportamentos de risco e os tratamentos e cuidados necessários.
Um livro para viver mais e melhor.
(In “O Livro do Coração”, Prof. Fernando de Pádua, 2008,1ª ed.,Alfragide:Academia do Livro.)
No verso da contracapa do “Livro do Coração”, do Professor Fernando Pádua, lemos:
“Chamam-lhe o “Homem do Coração”.
Fernando de Pádua, 81 anos, obteve a licenciatura em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1950 e partiu depois para a Universidade de Harvard, nos EUA, para se especializar em Cardiologia.
Professor catedrático aos 39 anos, Fernando de Pádua marcou as últimas cinco décadas om mensagens de promoção da saúde e prevenção das doenças cardiocerebrovasculares.
Merecedor de inúmeros galardões académicos, recebeu mais recentemente o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada e o Prémio Nacional de Saúde.
Este é o seu primeiro livro.”
(In “O Livro do Coração”, Prof. Fernando de Pádua, 2008,1ª ed.,Alfragide:Academia do Livro.)
A Revista do semanário Sol, Tabu, edição de 21/05/2010, numa reportagem da jornalista Ana Cristina Câmara e fotos de Sara Matos, nas páginas 40 a 46, contam-nos uma história contada na primeira pessoa e que nos incentiva à esperança e à Vida:
“Eduardo e Fátima Soares combatem, há mais de 30 anos, a doença cardíaca dele e a esclerose múltipla dela A descoberta da medicina tradicional chinesa resgatou-lhes qualidade de vida e levou-os a partilhar a experiência numa clínica que reúne a medicina convencional e oriental.” Pg.40
“Fátima dizia-lhe: “Vou perder o equilíbrio, vou ficar cega e morro.” Eduardo não queria pensar nisso: “Ela era lindíssima”.” (Pg. 42)
“Começaram as atribulações cardíacas, diz Eduardo. Na cirurgia, teve uma paragem cardíaca: “Foi a minha primeira morte”” (pg.43)
“Eduardo não fez o transplante de coração. “Antes demorava duas horas a recuperar o fôlego, agora demoro dez minutos”. (Pg.44)
“Sem esperança de voltar a andar, Fátima tentou a acupunctura. “Seis meses depois, tinha encostado a cadeira de rodas””. (Pg.45)
“E, no entanto o que é comum ouvir é a conversa do ter:
Um amigo que já não via, há algum tempo, senta-se na mesa do café.
Apresenta-se vestido e calçado com anúncios de pronto a vestir. Desfiou a
conversa do Ter. Durante duas horas o que ele não tinha. O que ele não
conhecia. Quem ele influenciava. As mulheres que tinha. No entanto, a
poetisa já dissera: “tiram-nos o que não temos, dão-nos o que não
possuem”. Das Mulheres ninguém tem.
De resto, Ter. Não se tem. Usufruímos. Usamos o que nos toca no leilão da
vida. Todas aquelas peças que vão ao leilão já fizeram parte de sucessivas
conversas do Ter. Dos mais antigos, inúmeros foram os donos. Têm valor
porque lhe atribuimos significado. Já foram parte de versões, sem fim, de
conversas do Ter. No fim, foram os objectos, as terras, as casas, os outros
que nos tiveram. De entre todos os que nos possuiram benditas são as
Mulheres. As Mulheres que tomam contam dos homens e as Mulheres que
tomam conta do mundo.
Nós somos os filhos das Mulheres. Têm uma paciência infinita para as
nossas brincadeiras. Fizeram-nos para o mundo. No centro e na periferia
da vida lá estão as Mulheres. No caminho, entre ambos, também.
Da Terra Nova ao Chile, do Brasil ao Japão, de Marrocos às Molucas as
Mulheres portuguesas fizeram o Mundo. Vinham de uma população que
oscilava entre um milhão e um milhão e duzentos e cinquenta mil pessoas.
Habitaram as praças de África, os Castelos de Portugal no planeta.
Lutaram nos contrafortes. Algumas: “prenhe e com a barriga à boca de
uma filha que logo pariu”.
Viviam, vivem, com grande ansiedade. Mesmo angústia. A luta rouba-lhes a vida de muitos amores. Homens, pais, irmãos, filhos. Uma Mulher a quem se roubou um amor é uma Mulher que se vinga. Que luta e fere. Que
emprega e oferece, nessa luta, a vida.
As Mulheres sabem que Darwin estava incompleto na sua luta pela
sobrevivência. Quem se dedica, como os homens só á luta e á conversa do
Ter perece. Ele e todos os que estiverem à sua volta. Os homens, somos
descartáveis.
As Mulheres inventaram para garantir o futuro, a cooperação como o
método. Como a forma que ultrapassa a selecção natural. A verdadeira
chave de quem passa na evolução é a ajuda mútua entre seres da mesma
espécie. A espécie que se entreajuda tem sobre todas as outras a
vantagem para sobreviver. E as Mulheres tomam conta do Mundo.
De Portugal tomaram conta, uma Teresa, de Afonso Henriques, uma Isabel, de um rei por amar, uma Filipa de Lencastre, da ousadia de dar um destino português ao mundo, uma Leonor, da misericórdia, uma Luiza de Gusmão, da independência. Pelo mundo, uma Ana de Chaves fez um povo, o de S.Tomé.
E, dia, após dia; todos os segundos do dia com a coragem serena da
certeza das coisas da vida as Mulheres estão de atalaia e tomam conta.
Dão-se. Ninguém as tem. Conversam. Falam. Olham aquele olhar. E são
elas, as Mulheres, quem tem. E têm porque dão valor aos outros.”