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quinta-feira, 17 de junho de 2010

"Sinto Muito" - Nuno Lobo Antunes



Uma sugestão de leitura, se ainda não a conhecerem, claro:
“ Sinto Muito”, é o título do livro (4ª ed. 2008, Lisboa:Verso da Kapa),  de Nuno Lobo Antunes, neuropediatra.

Na sua capa podemos ler:
“A vida é tempo entre parêntesis.
Alma a nu, sentimento despido de pudor.
O Amor como razão de Ser e de Viver.”

António Damásio, distinto cientista português, neurologista, escreve o Prefácio ao livro, onde a dado momento diz:
“Sinto muito é sobre o sofrimento em geral, ou se quisermos, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, para depois o desanuviar e torná-lo mais leve”. (pg.12)

Em cada página, Nuno Lobo Antunes, como que nos leva à essência da VIDA, ajudando-nos a intui-la e quase de certeza a desejar valorizá-la ainda mais -  esse “tempo entre parêntesis”.
A Vida, esse “fio” tão débil e sensível, que nos liga a esta dimensão, a da Maravilhosa Experiência Humana.

Na contracapa pode ler-se:
“ Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito.
Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóboda, e no fim, ela desaba.
O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda.
O médico provoca o criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.”

A Humanidade no seu melhor

“Na história da minha existência estão cravados os anos que passei nos EUA como especialista em neuro-oncologia pediátrica, isto é, médico do cancro que envolvia o Sistema Nervoso das crianças. Após sete anos de intensa vida hospitalar, em que a violência das emoções atingia, todos os dias, dimensões de drama, a vida surge distorcida. Era um dia-a-dia de derrotas, em que mesmo as vitórias não podiam ser inteiramente celebradas, porque a eminência de uma recaída pairava até ao fim da vida. Um dia sugeri que a nossa equipa usasse uma T-shirt com o lema: it is so sad (é tão triste), porque era a frase que mais vezes repetíamos ao longo do dia. Lembro-me que de férias em Portugal, admirava as crianças a brincar na praia porque já me tinha esquecido de que podiam ser felizes e saudáveis. Em cada cara buscava sinais de dor, em cada corpo estigmas de quem sofreu os efeitos da doença ou do seu tratamento. Esta distorção atingia também as crianças e as suas famílias. Ainda me emociono ao lembrar-me de um rapazinho de 3 anos, sem cabelo ou sobrancelhas, que tinha como habilidade, que demonstrava com agrado, saber o nome dos filhotes de todos os animais: o filho da porca – leitão, da égua – poldro, e assim por diante. Um dia, lembrei-me de perguntar como se chamava o filho da mulher. Hesitou um minuto, mas depois abriu para mim um sorriso matreiro de quem tinha intuído a resposta, para afirmar com segurança: outpatient, - doente de consulta externa …
Muitos me perguntavam como era possível conviver diariamente com o desgosto. A resposta é simples: é um privilégio poder conhecer a humanidade no seu melhor, na Coragem, mas sobretudo, no Amor. Os médicos e enfermeiras com quem trabalhava eram santos, porque, como alguma vez ouvi, os santos não se vêem todos da mesma maneira. Lembro-me de Perez, um rapaz de 15 anos que cansado das náuseas e da dor, desistiu do tratamento para viver, o melhor que podia, os meses que lhe restavam. A mãe aceitou sem discussão a opção do seu filho. Despediu-se do emprego para gozar com ele a Vida. Tivemos o último encontro num jardim de NY, em Outubro, num daqueles dias excepcionais em que o sol abre as cortinas do Inverno. Dia apropriado para um encontro que era, simultaneamente, uma separação. Despedimo-nos com um abraço e um sorriso: até breve. Naquele momento, o tempo não teve dimensão. Mas recordo sobretudo a Jennifer, uma rapariga encantadora de 18 anos, amante de golfinhos, que na roleta dos tratamentos decidiu apostar tudo num transplante que falhou. O pai, no dia do enterro, cobriu o caixão de golfinhos azuis, que na pintura sorriam para ela. Na missa, a mim, seu médico e também carrasco, chamaram-me para a sua banda, e dando-me as mãos consolaram-me de um desgosto tão fundo de que só mesmo eles me poderiam içar. Durante anos, tive a sua fotografia no ecrã do meu computador, para que todos os dias me lembrasse porque trabalhava. Poucos meses depois da sua morte, os pais pediram-me ajuda para lançar uma Fundação com o nome da Jennifer para ajudar na luta contra o cancro. O dinheiro dessa fundação foi direito para o Hospital onde morreu. A Humanidade no seu melhor, na Coragem, mas sobretudo, no Amor.”

( Do livro “Sinto Muito”, de Nuno Lobo Antunes, 4ª ed. 2008, Lisboa:Verso da Kapa – pgs. 27 e 28)

terça-feira, 15 de junho de 2010

“O Monge que vendeu o seu Ferrari”


Este livro de, Robin S. Sharma, é uma fábula espiritual, que nos mostra que, na Vida, em qualquer momento a transformação, a mudança, podem ocorrer….
Aqui fica um breve excerto, do seu 1º capítulo, “O despertar”:

“Ele caiu redondo em pleno tribunal cheio de gente. Era um dos advogados mais conceituados do país. Era também um homem tão conhecido pelos seus fatos italianos de três mil dólares, que vestiam a sua estrutura bem nutrida, como pela sua notável lista de vitórias jurídicas. Eu fiquei parado a olhar, paralisado pelo choque do que acabara de ver. O grande Julian Mantle fora reduzido ao papel de vítima e contorcia-se no chão como uma criança indefesa, a tremer e a suar como um louco.
A partir daí, foi como se tudo se movesse em câmara lenta “Meu Deus, o Julian está a passar mal!”, gritou a sua assistente jurídica, dando-nos um ofuscante vislumbre emocional do que era óbvio. A juíza fez uma cara de pânico e apressou-se a pegar no telefone que mandara instalar para a eventualidade de uma emergência. Quanto a mim, continuei ali especado, estupefacto e confuso. Por favor, não morras, seu tolo! É demasiado cedo para desistires da vida. Não mereces uma morte como esta.”(pg.13)

(In Robin S. Sharma, 2004,“O Monge que vendeu o seu Ferrari”,1ª ed. Cascais:Editora Pergaminho SA.)