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quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Fala do Índio


"Chiparopai, uma anciã iuma, evoca as transformações a que se viu confrontada em princípios do século XX."
A doença chegou convosco (o homem branco) e os nossos morreram às centenas. Onde está a nossa força?... Dantes éramos fortes. Costumávamos caçar e pescar. Cultivávamos e colhíamos o nosso milho e os nossos melões, comíamos favas. Agora tudo mudou. Comemos o sustento do homem branco e isso enfraquece-nos. Dantes, todos os dias, fosse verão ou inverno, íamos para as margens do rio para nos banharmos e isso fortificava-nos e enrijava-nos a pele. Mas os colonos brancos ficavam chocados por verem os índios nus e agora temos de nos afastar. Dantes, usávamos tangas e mantos de cascas e juncos. Durante toda a invernia trabalhávamos ao vento, de braços e pernas nus, e nunca ficávamos constipados. Agora, porém, quando o vento assopra lá do cimo das montanhas, põe-nos logo a tossir. É bem verdade – quando vós chegais, nós morremos. (pg. 135)

(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)


terça-feira, 29 de junho de 2010

"A Fala do Índio"


Ano após ano os usurpadores brancos vão-se tornando mais vorazes, mais exigentes, mais opressores e arrogantes… A miséria e a opressão são agora o nosso destino…Pois nos não vemos nós despojados, dia após dia, do pouco que da nossa antiga liberdade ainda nos resta? Se todas as tribos se não coligam, unânimes, para dizerem basta à ambição e avareza dos brancos, em breve eles nos hão-de conquistar e desunir, e haveremos de ser expulsos da nossa pátria e dispersos pelo vento como as folhas do Outono.” (Pg. 83)

Tecumseh, chefe shauni, num discurso proferido em 1812
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"A Fala do Índio"


O homem sentado no chão, em seu tipi, meditando na vida a no sentido que ela tem, aceitando o parentesco com todas as criaturas e reconhecendo a unidade das coisas no Universo, instilava no seu ser a verdadeira essência da civilização. E quando o homem nativo abandonou essa forma de desenvolvimento, o crescimento da sua humanização viu-se retardado.” (pg.110)
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)

domingo, 20 de junho de 2010

“A Fala do Índio”


“Nós  amamos o sossego;
Deixamos o rato brincar;
Quando os bosques sussurram,
não sentimos medo.” (pg.20)

(Um Chefe Índio ao Governador da Pensilvânia, 1796)
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

“A Fala do Índio”


“Nós  amamos o sossego;
Deixamos o rato brincar;
Quando os bosques sussurram,
não sentimos medo.” (pg.20)

(Um Chefe Índio ao Governador da Pensilvânia, 1796)
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

“A Fala do Índio”


“Quero que todos saibam não estar nas minhas intenções vender uma parcela que seja da nossa terra, nem aceitar que os brancos cortem as nossas árvores ao longo dos rios, muito especialmente os carvalhos. Tenho uma predilecção particular pelos pequenos bosques de carvalhos, cujos frutos muito estimo.
Gosto de observar esses frutos, porque eles resistem às tempestades invernais e aos calores do estio. E tal como acontece connosco, parecem como eles florescer.”
“Tatanka Iotanka, ou Touro Sentado, guerreiro sioux”
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)

terça-feira, 15 de junho de 2010

“A fala do Índio”


“O homem branco queria apenas um bocadinho de terra, uma parcela do tamanho da pele de um boi, onde pudesse cultivar verduras para a sopa. Devíamos ter visto logo, em tais palavras, o espírito traiçoeiro de tal gente.”

(Parecer dos Delauare, transmitido pela tradição oral, sobre a chegada dos primeiros holandeses à ilha de Manhattan, cerca de 1609)

“A Fala do Índio”


O livro “A Fala do Índio”, de Teri C. McLuhan, fala-nos do que pensaram os índios, através da tradição oral, da chegada dos brancos às suas terras.
Pensamentos que hoje, creio, nos suscitam muita reflexão. Apesar da distância do tempo, parece que a essência é a mesma, ainda que noutro tipo de situações.
Gostaria de deixar um breve texto da Introdução do livro, dedicada a “O Espírito da Terra”:

“O sofrimento do homem índio, ao assistir à destruição do seu modo de vida, nunca foi inteiramente compreendido pelo homem branco, e talvez nunca o venha a ser. Quando Alce Negro, profeta dos Sioux Oglalas, fala da “beleza e singularidade da terra”, refere-se à veneração do meio ambiente na vida de todos os dias, um meio ambiente que se encontrava numa integral interdependência com a vida do autóctone americano. O extermínio dos rebanhos selvagens e a invasão das terras ancestrais levaram à degenerescência e ao aniquilamento duma certa forma de vontade e dum certo estado de espírito dos povos nativos americanos. O que os Índios eram não poderia, sem um grave empobrecimento espiritual, ser separado o seu habitat e do modo como nele viviam.
Os Índios, neste livro, falam por si mesmos da qualidade de vida que era a sua. As passagens apresentadas provêm de discursos – e, mais recentemente, de artigos – de índios que viveram ou vivem em todas as regiões do continente norte-americano, entre o século XVI e o século XX. Referem-se sempre com respeitosa atenção à terra, aos animais, aos objectos que constituíam o território onde habitavam; não viram mérito nenhum no facto de imporem a sua própria vontade àquilo que os rodeava; a quase totalidade dentre eles considerava a propriedade privada como o caminho conducente à pobreza, e não  à riqueza. A sua razão de viver identificava-se com as suas relações recíprocas, e estas relações com a terra natal; a memória dava profundidade e ressonância ao conjunto.” (Pg.15-16)
(In Teri C. McLuhan, 2000, “A Fala d Índio”,Lisboa: Artes Gráficas, Lda.)