Em cima do ataúde estava esta carta que Raul terá escrito há algum tempo. (link)
Fiquei admirado, porque das vezes que falou comigo sobre Deus, nunca percebi a sua relação com Ele. Um vazio no tempo (Link)
Numa das últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que aquele espaço se tratava dum templo grandioso. Quase como um espanto senti uma sensação que nunca sentira antes e de repente uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo adormecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz. Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo. Aquela vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar e que me deu a esperança de que num tempo que seja breve, me volte a acontecer. Que esse Deus assim queira! Raul Solnado
Deepak Chopra no seu livro “Poder,Liberdade, Graça”, sugere: “alimente a sa vida na fonte da felicidade eterna”.
De seguida breves excertos q ue nos revela da profundidade da leitura:
“ O Universo, embora seja intemporal e eterno, funciona através de ciclos de descanso e actividade – de “ligado” e “desligado”. O ligado e desligado significam o nascimento e a morte, e estamos constantemente a morrer, de modo a nos podermos voltar a criar. Os átomos no seu corpo ligam-se e desligam-se.” (Pg. 64)
“Embora o mundo aparente ser continuo, na realidade está a ligar-se e desligar-se como um sinal luminoso intermitente. Tudo está a vibrar e a vibração implica um sinal de ligar e desligar. É por isso que se chama vibração. Se pudéssemos ver o mundo ao nível dos fotões, este teria a aparência de uma espécie de movimento ligado-desligado, ligado-desligado constante. Mesmo os nossos pensamentos são aglomerados de fotões ligando-se e desligando-se intermitentemente no vazio infinito. Algumas coisas vibram muito rápido e algumas mais devagar. Numa pedra, a vibração é muito lenta; num pensamento, é muito rápida e, ao nível dos fotões, ocorre à velocidade da luz. No entanto, tudo sucede numa vibração ligado-desligado.” (Pg. 64 – 65)
“Quando nos ligamos, nascemos; e quando desligamos, morremos. Sem desligar, não haveria ligar. Em cada desligar, o Universo recria-se. O desligar também é denominado descontinuidade. Na nossa consciência, criamos a experiência da continuidade de algo que é essencialmente descontinuidade. A razão do Universo parecer continuo é um truque dos nossos sentidos. Os nossos sentidos não conseguem processar a informação intermitente que se liga e desliga no vazio infinito à velocidade da luz; por isso, criam a ilusão da continuidade.” (Pg. 65)
“A nossa percepção do mundo pode ser comparada ao assistir a um filme. No ecrã vemos continuidade, mas, quando visitamos a sala de projecção, que vemos? Apercebemo-nos de que o filme é uma série de imagens paradas com pequenos espaços ou intervalos entre as imagens. Se o rolo do filme se mover rápidamente, os nossos olhos não reparam nos intervalos, no desligar entre cada imagem; apenas reparam no efeito de “ligado”. Vemos um filme e o filme está totalmente na nossa imaginação. Na realidade, as imagens estão a ligar-se e a desligar-se intermitentemente de forma descontinua no ecrã.” (Pg. 65-66)
“Tudo em que consigamos pensar – uma cadeira, uma cor, uma montanha, um pensamento, um arco-íris – é apenas uma vibração diferente da mesma essência. Algo está a vibar e a criar tudo e essa vibração está a acontecer na presença da alma. A alma vibra e cria os pensamentos. A alma vibra e cria o corpo. A alma vbra e cria todo o Universo. Os Antigos já diziam isto. Os alquimistas egípcios já diziam isto. Os filósofos gregos também, e todos os que algum dia possuíram uma ideia acerca de como a Criação ocorreu. Todos afirmaram que a criação é vibração.” (Pg.66 – 67)
“Criar é trazer para o ser ou a existência. E, para criar algo novo, temos de morrer para o que já existe. Se não morremos para o que existe, não haverá lugar à criação. Algo tem morrer para algo novo emergir e a nossa alma está constantemente a efectuar saltos quânticos de criatividade. O que é um salto quântico? É quando uma partícula subatómica se movimenta de A para B sem percorrer o espaço intermédio. Está aqui e, de seguida, está ali. Qual era o espaço intermédio? Nenhum. Como foi de A a B? Não sei. E não só foi daqui para ali, como o fez instantaneamente. O percurso de A a B não ocupou tempo. Isto é um salto quântico.” (Pg.67)
“Cada morte é uma oportunidade para um salto quântico de criatividade. Através da morte, recriamo-nos a todos os níveis: ao nível material do corpo, do intelecto e da personalidade. Todos estes necessitam de morrer, de modo a se recriarem. A cada morte armazenamos a sabedoria das nossas experiências desde o início dos tempos e efectuamos saltos quânticos de criatividade para que possamos olhar novamente para nós como se fosse a primeira vez. Ciclos de nascimento, transformação e morte mantêm-nos frescos para que possamos imaginar novos reinos para a nossa própria existência.” (Pg.67)
“Na Biologia há um termo denominado apoptose, que significa morte celular programada. Na ausência de apoptose, as células esquecem-se de morrer e esta condição é denominada cancro. As células cancerígenas perderam a memória da morte e, na sua busca da imortalidade, matam o corpo hospedeiro do qual dependem para sobreviver.” (Pg 68)
“A larva morre para se tornar numa crisálida. No sono da crisálida, a energia incuba e reorganiza-se, nascendo uma borboleta. Será a larva o mesmo ser que a crisálida ou a borboleta? É a mesma inteligência que se tornou algo mais. E, nessa outra coisa, cada célula é diferente, cada expressão de energia no seu corpo é diferente. Nada morreu realmente, apenas se transformou. A transformação após a morte não é um movimento para outro lugar ou tempo, é apenas uma alteração na qualidade da atenção na consciência. É uma condição ou um estado vibrante da nossa própria consciência. O mundo que estamos a experienciar, com terra e céu, plantas e pessoas, Sol e Lua, é uma expressão particular da consciência a uma dada frequência. Céus, infernos e purgatórios, a Terra, as estrelas e as galáxias, os elementos e a miríade de formas vivas existentes não são lugares num espaço-tempo – são projecções de estados de consciência são expressões vibratórias da consciência infinita, em que o Cosmos se movimenta e vive e tem a sua existência. Frequências infinitas de consciência coexistem e dá-se a presença simultânea de muitos planos de existência.” (Pg. 69)
(In Deepak Chopra, (2006) “Poder, Liberdade e Graça”, 2ª ed. Out. 2009, Ed. Albatroz)