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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"O mal das palavras" - Paulo Coelho

"Continuo aqui transcrevendo textos de Carlos Castaneda:
O mal das palavras é que elas nos fazem sentir como se estivéssemos iluminados, compreendendo tudo.
Mas, quando nos viramos e enfrentamos o mundo, vemos que a realidade é completamente diferente daquilo que discutimos ou escutamos.
Por causa disso, um guerreiro procura agir, e não perde seu tempo em conversas inúteis.
Através da ação, ele descobre o significado do que se passa no seu dia-a-dia, toma decisões criativas e originais."

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"A energia do silêncio" - Paulo Coelho



"Quando estamos quietos, nos damos conta de que alguém (ou alguma coisa) está procurando nos ensinar. Sempre que conseguimos parar nosso diálogo interior, algo de extraordinário termina acontecendo em nossas vidas. Descobrimos coisas que jamais pensamos conscientemente, mas que estão ali, prontas para nos ajudar.
Entretanto, o difícil mesmo é conseguir atingir este silêncio – nossa cabeça vive ocupada com músicas, listas, coisas para fazer, preocupações, notícias de jornais, cálculos matemáticos sobre nossas possibilidades financeiras.
Se conseguirmos deter este fluxo inútil de reflexões que não nos conduzem a lugar nenhum, tudo passa a ser possível."

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Reflexão" - Paulo Coelho

"De Dom Rafael Llana Cinfuentes (adaptado livremente do livro “Insegurança, Medo e Coragem”, Ed. Quadrante):
“Sabemos que nem toda ação audaciosa corresponde a uma conduta corajosa. Há ações que são fruto de atitudes reprováveis. Como podemos distinguir o que é imprudência do que é a coragem?”.
“Aristóteles nos dá uma definição muito apropriada dessa distinção:” O bravo é corajoso. O temerário deseja apenas parecer corajoso ““.
“E Torelló escreve:” O homem intrépido e forte expõe-se consciente e livremente ao perigo, e até ao perigo da morte, mas sempre a serviço de valores superiores; terá que ser razoável se quiser ser forte. A estupidez nunca é uma virtude.

“Todos sentimos medo da dor, do fracasso, da crítica maldosa, da doença, da morte, mas todos nós soubemos defender, alguma vez, nossos pais ou nossos direitos. Não há, pois, ninguém que possua a coragem em estado puro. Não se encontra a coragem na palma da mão: está escondida nos mais profundos recantos do coração, como uma mina oculta que deve ser descoberta e explorada”.
Um homem valente é aquele em quem a coragem acaba por prevalecer sobre o medo."

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Se pudesse recomeçar " - por Paulo Coelho

"O poema abaixo fez grande sucesso há dez anos. No início, atribuiu-se sua autoria a Jorge Luis Borges; logo depois, apareceram vários críticos afirmando que não se tratava de um texto do escritor argentino. Até hoje, não se sabe direito quem escreveu (a versão que eu tenho, fala de um tal “Irmão Jeremiah”):
“Se eu pudesse recomeçar minha vida, tentaria cometer muito mais erros”.
“Ia relaxar. Dizer bobagens. Tentar mostrar-me mais louco. Levar as coisas menos a sério”.
“Escalaria montanhas, nadaria rios que não conheço, dedicaria mais tempo a olhar o pôr-do-sol. Procuraria andar e olhar mais as coisas que me cercam, ia me entupir de sorvetes e fazer menos dieta. Só daria importância aos meus problemas reais, e me esqueceria dos imaginários”.
“Eu sempre fui aquele tipo de gente que prestava atenção nos sinais, e cuidava da saúde hora após hora, dia após dia. Saía de casa com um guarda-chuva, não viajava sem termômetro, aspirina, casaco, bloco de notas”.
“Se eu pudesse recomeçar minha vida, faria coisas que meus netos comentariam – rindo – com seus colegas de escola”.
“Então, eu lhes daria assunto e alegria, ao invés de procurar inspirar respeito”.
“Se eu pudesse recomeçar minha vida, tentaria cometer muito mais erros”."

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Tentando enganar o destino" - Paulo Coelho


"No seu caminho até a Galícia, durante a Reconquista (guerras religiosas, que terminaram com os espanhóis expulsando os árabes da Península Ibérica), o imperador Carlos Magno enfrenta as tropas de um traidor perto de Monjardin.
Antes da batalha, reza para Santiago, que lhe revela o nome de 140 soldados que irão morrer na luta. Carlos Magno deixa estes homens no acampamento, e parte para o combate.
No final daquela tarde, vitorioso e sem uma única baixa em seu exército, volta e descobre que o acampamento havia sido incendiado, e os 140 homens estavam mortos."

domingo, 3 de outubro de 2010

"Histórias de viagem" - Paulo Coelho

Ekaterinburg, Rússia: os sapatos
Logo depois da queda do sistema comunista, uma empresa belga envia à cidade russa dois representantes para ver a viabilidade de vender seus produtos.
Recebe dois relatórios diferentes:
“Aqui ninguém usa sapatos ocidentais” escreve o primeiro. “Se instalarmos uma fábrica, teremos prejuízo”.
“Aqui ninguém usa sapatos ocidentais” escreve o segundo representante. “Se instalarmos uma fábrica, lançaremos a moda e venderemos toda a produção”.
Yuri, Ucrânia
Muitas pessoas se postam na porta de entrada do Caminho, e querem selecionar quem deve entrar.
O puritano pergunta: “Por que os pecadores?”
E o moralista berra: “A prostituta quer fazer parte do banquete!”
E grita o guardião dos valores sociais: “Como perdoar a mulher adúltera se ela pecou?”
O penitente rasga suas roupas: “Por que curar um cego que só pensa em sua doença e nem sequer agradece?”
Grita o político: Por que dar a César o que é de César, e não levantar as massas contra os opressores?”
O asceta esperneia: “Deixas que a mulher derrame em teus cabelos um óleo caro. Por que não vendê-lo e comprar comida?”
Sorrindo, Jesus segura a porta aberta. E entram todos que quiserem entrar, independente da gritaria histérica.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"O amor" - Paulo Coelho



"(“Cartas de Amor do Profeta”, Ed. Ediouro)
Quando o amor chamar, aceitem seu chamado, mesmo que o caminho seja duro, difícil.
E quando suas asas se abrirem, entreguem-se, mesmo que a espada que está ali escondida termine provocando ferimentos.
E quando o amor disser algo, acreditem, mesmo que sua voz destrua seus sonhos, como o vento do norte devasta os jardins.
Porque o amor glorifica e crucifica. Faz crescer os ramos, e os poda. Tritura os homens, até que estejam flexíveis e dóceis. Os queima em fogo divino, para que possam converter-se em um pão sagrado, que será consumido no banquete de Deus.
Entretanto, se tiverem medo, e quiserem encontrar no amor apenas a paz e o prazer, melhor que se afastem de sua porta, e procurem outro mundo, onde poderão rir, mas sem toda alegria, e poderão chorar, mas sem usar todas as lágrimas.
O amor não dá nada e não pede nada além de si mesmo. O amor não possui nem é possuído – porque ele se basta.
E não tentem dirigir o seu curso: porque se o amor achar que são dignos, ele os dirigirá até onde devem chegar."

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"A fé incompleta" - Paulo Coelho

"Os budistas estavam com a razão, os hindus estavam com a razão, os índios estavam com a razão, os muçulmanos estavam com a razão, os judeus estavam com a razão. Sempre que o homem seguir – com sinceridade – o caminho da fé, ele será capaz de unir-se a Deus, e operar milagres. A verdade sempre está onde existe fé.

Os apóstolos eram pescadores, analfabetos e ignorantes. Mas aceitaram a chama que descia do céu. Não tiveram vergonha da própria ignorância: tiveram fé no Espírito Santo.

Este dom é de quem quiser aceitá-lo. Basta apenas acreditar, aceitar, e não ter medo de cometer alguns erros."

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Ken Kasey e a nossa condição" - Paulo Coelho

 “O que pensa da raça humana?”, pergunta uma amiga que acaba de se formar na universidade de sociologia. 

“Penso que é curiosa – tão parecida e tão diferente! Somos capazes de trabalhar juntos, construir as pirâmides do Egito, a grande Muralha da China, as catedrais da Europa e os templos do Peru. Podemos compor músicas inesquecíveis, trabalhar em hospitais, criar novos programas de computador. Mas, em algum momento, tudo isto perde seu significado, e nos sentimos sós, como se fizéssemos parte de um outro mundo, diferente daquele que ajudamos a construir”.

“Às vezes, quando outros precisam de nossa ajuda, ficamos desesperados porque isto nos impede de aproveitar a vida. Outras vezes, quando ninguém precisa de nós, nos sentimos inúteis”.
“Mas somos assim. Somos seres humanos complexos. Para que se desesperar?”

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Qual o preço?" - Paulo Coelho

“O preço de viver um sonho é muito maior do que o preço de viver sem arriscar-se a sonhar?”, perguntou o discípulo.
O mestre levou-o a uma loja de roupas. Ali, pediu que experi¬mentasse um terno exatamente do seu tamanho. O discípulo obede¬ceu, e ficou maravilhado com a qualidade da roupa.
Em seguida, o mestre pediu que experimentasse o mesmo terno – mas de um tamanho muito superior ao seu. O discípulo fez isto.
“Esse não serve. Está muito grande”.
“Quanto custam estes ternos?”, perguntou o mestre ao vendedor.
“Os dois custam o mesmo preço. Apenas o tamanho é diferente”.
Na saída da loja, o mestre comentou com seu discípulo:
“Viver o sonho, ou abandonar o sonho, também custa o mesmo preço, geralmente muito caro. Mas a primeira atitude nos leva a comungar com o milagre da vida, e a segunda não nos serve para nada”.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Viajando e o ato de Renascer" - Paulo Coelho

"Quando você viaja, está experimentando de uma maneira muito prática o ato de renascer.
Está diante de situações completamente novas, o dia passa mais devagar e na maior parte das vezes você não compreende a língua que as pessoas estão falando.
Exatamente como uma criança que acabou de sair do ventre materno.
Com isto, você passa a dar muito mais importância às coisas que te cercam, porque delas depende a sua própria sobrevivência. Passa a ser mais acessível às pessoas, porque elas poderão ajudá-lo em situações difíceis. E recebe qualquer pequeno favor dos deuses com uma grande alegria, como se aquilo fosse um episódio para ser lembrado pelo resto da vida.
Ao mesmo tempo, como todas as coisas são novas, você enxerga apenas a beleza delas, e fica mais feliz em estar vivo."

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Desenvolva seus talentos e suas virtudes" - Paulo Coelho

"Aqueles que buscam melhorar a si mesmos não devem estar presos à teorias ou palavras, mas procurar agir de maneira impecável, utilizando quatro virtudes que devem ser conservadas: coragem, sabedoria, amor e amizade. Existem vários caminhos para isso, assim como existem várias trilhas para se chegar ao topo de uma montanha – mas este topo chama-se amor, e um verdadeiro guerreiro deve entender esta palavra cada vez que estiver diante de uma decisão. Para isso, treine bastante, mas atue baseado em sua intuição, porque o amor sempre nos permite escolher o melhor caminho."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

As rotas sagradas - Paulo Coelho

No primeiro milênio do Cristianismo, três rotas foram consideradas sagradas, e que resultavam numa série de bênçãos e indulgências para quem percorresse qualquer uma delas.
A primeira rota levava até o túmulo de São Pedro, em Roma, seus caminhantes tinham por símbolo uma cruz e eram chamados de romeiros.
A segunda rota levava até o Santo Sepulcro de Cristo, em Jerusalém, e os que faziam este caminho eram chamados de palmeiros porque tinham como símbolo as palmas com que Cristo foi saudado quando entrou na cidade.
Finalmente, existia um terceiro caminho – um caminho que levava até os restos mortais do apóstolo São Tiago, enterrados num local da península ibérica onde certa noite um pastor havia visto uma brilhante estrela sobre um campo. A lenda conta que não apenas São Tiago, mas a própria Virgem Maria, estiveram por ali logo após a morte de Cristo, levando a palavra do Evangelho e exortando os povos a se converterem. O local ficou sendo conhecido como Compostela – o campo da estrela – e logo surgiu uma cidade que iria atrair viajantes de todo o resto do mundo cristão. A estes viajantes que percorriam a terceira rota sagrada foi dado o nome de peregrinos, e passaram a ter como símbolo uma concha.

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domingo, 29 de agosto de 2010

"Entre Ekaterinburg e Novosibirsk" - Paulo Coelho

O meu novo livro, “O Aleph” (publicação no Brasil em 2010 e no resto do mundo em 2011) descreve meu percurso espiritual durante a minha travessia da Ásia, em 2006. Para escrevê-lo, tive que consultar uma série de anotações que havia feito na época.

Cheguei no vagão que irá me transportar pela Transiberiana cheio de livros, pensando que teria muito tempo durante estes 9.228 km de viagem de trem. Descubro logo em seguida que é impossível escrever ou ler qualquer coisa por causa do movimento e da ausência de bons amortecedores. Tudo que me resta é pensar, anotar alguns pensamentos no momento em que paramos em uma estação.
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Uma das pessoas no trem me mostra uma oração que, segundo ela, foi encontrada entre os pertences pessoais de um judeu, morto num campo de concentração:
"Senhor: quando vieres na Tua glória, não te lembres apenas dos homens de boa vontade; lembra-Te também dos homens de má vontade.
"E, no dia do Julgamento, não Te lembres apenas das crueldades, sevícias, e violências que eles praticaram: lembra-Te também dos frutos que produzimos por causa do que eles nos fizeram. Lembra-Te da paciência, da coragem, da confraternização, da humildade, da grandeza de alma e da fidelidade, que nossos carrascos terminaram por despertar em nossas almas.
"Permite então, Senhor, que os frutos por nós produzidos possam servir para salvar as almas dos homens de má vontade."
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Preciso viver todas as graças que Deus me deu hoje. A graça não pode ser economizada. Não existe um banco onde depositamos as graças recebidas, para utilizá-las de acordo com nossa vontade. Se eu não usufruir destas bênçãos, vou perdê-las irremediavelmente.
Deus sabe que somos artistas da vida. Um dia nos dá formão para esculturas, outro dia pincéis e tela, outro dia nos dá uma pena para escrever. Mas jamais conseguiremos usar formão em telas, ou penas em esculturas. A cada dia, o seu milagre. Preciso aceitar as bênçãos de hoje, para criar o que tenho; se fizer isso com desapego e sem culpa, amanhã receberei mais.
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A vida é como uma grande corrida de bicicleta - cuja meta é cumprir a lenda Pessoal.
Na largada, estamos juntos - compartilhando camaradagem e entusiasmo. Mas, à medida que a corrida se desenvolve, a alegria inicial cede lugar aos verdadeiros desafios: o cansaço, a monotonia, as dúvidas sobre a própria capacidade.
Reparamos que alguns amigos desistiram do desafio - ainda estão correndo, mas apenas por que não podem parar no meio de uma estrada; eles são numerosos, pedalam ao lado do carro de apoio, conversam entre si, e cumprem uma obrigação.
Terminamos por nos distanciar deles; e então somos obrigados a enfrentar a solidão, as surpresas com as curvas desconhecidas, os problemas com a bicicleta. E, ao cabo de algum tempo, começamos a nos perguntar se vale a pena tanto esforço.
Sim, vale a pena. É só não desistir.
Além do mais, porque se pararmos de pedalar, terminamos caindo.
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Em um dos seus raros escritos, o sábio sufi Hafik comenta a idéia da Viagem:
"Aceite com sabedoria o fato de que o Caminho está cheio de contradições. O Caminho muitas vezes nega-se a si mesmo, para estimular o viajante a descobrir o que existe além da próxima curva.
Se dois companheiros de jornada estão seguindo o mesmo método, isto significa que um deles está na pista falsa. Porque não há fórmulas para se atingir a verdade do Caminho, e cada um precisa correr os riscos de seus próprios passos.
"Só os ignorantes procuram imitar o comportamento dos outros. Os homens inteligentes não perdem seu tempo com isto, e desenvolvem suas habilidades pessoais; sabem que não existem duas folhas iguais numa floresta de cem mil árvores. Não existem duas viagens iguais no mesmo Caminho"
(Edição Nº 231)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"Ninguém é uma ilha" - Paulo Coelho



"O texto é adaptado de John Donne:
“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma. Todo homem é um pedaço de continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, toda a Europa fica menor – porque perdeu um pouco de si mesma. Por isso, o assassinato de qualquer homem me diminui, já que sou parte da humanidade”.
“Ninguém passa por sacrifícios suficientes para chegar ao céu sem antes passar por momentos duros. A dificuldade da vida pode ser um tesouro por sua natureza, mas só pode ser usada como moeda corrente se servir para ajudar os outros”.
“Alguém pode estar agonizando neste momento, e todo o seu sofrimento jazer inútil aos pés de sua cama. Pois todos os momentos difíceis que este homem passou não serviram de exemplo para ninguém”.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Das Oportunidades - Paulo Coelho

"Um guerreiro da luz conhece seus defeitos. Mas conhece  também suas qualidades.
Alguns companheiros queixam-se o tempo todo: “os outros têm mais oportunidade que nós”.
Talvez tenham razão; mas um guerreiro não se deixa paralisar por isto; ele procura valorizar ao máximo as suas virtudes.
Sabe que o poder da gazela é a habilidade de suas pernas. O poder da gaivota é sua pontaria para atingir o peixe. Aprendeu que um tigre não tem medo da hiena, porque é consciente de sua força.
Um guerreiro procura saber com que pode contar. Sempre verifica seu equipamento, composto de três coisas: fé, esperança, e amor.
Se as três estão presentes, ele não hesita em seguir adiante."

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sábado, 21 de agosto de 2010

"Da gratidão" - Paulo Coelho

"Um guerreiro da luz nunca esquece a gratidão.
Durante a luta, foi ajudado pelos anjos; as forças celestiais colocaram cada coisa em seu lugar, e permitiram que ele pudesse dar o melhor de si.
Os companheiros comentam: “como tem sorte!”. E o guerreiro às vezes consegue muito mais do que sua capacidade permite.
Por isso, quando o sol se põe, ajoelha-se e agradece o Manto Protetor a sua volta.
Sua gratidão, porém, não se limita ao mundo espiritual; ele jamais esquece os amigos, porque o sangue deles se misturou ao seu no campo de batalha.
Um guerreiro não precisa que ninguém lhe recorde a ajuda dos outros; ele se lembra sozinho, e divide com eles a recompensa."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"A voz interior vem do exterior" - Paulo Coelho

"Seu coração guarda muitas sementes férteis, que estão esperando apenas a luz para que possam desabrochar.
Permita que esta luz entre em sua alma: deixe-se guiar pelo fluir das coisas a sua volta, procure seguir a qualidade de alguns vegetais. Seja sempre verde como o pinheiro, flexível como o bambu, belo como o lótus, e elegante como o lírio."

terça-feira, 17 de agosto de 2010

"Chegando no momento certo" - Paulo Coelho

Em 1991, “O Alquimista” foi oferecido à Maison Robert Laffont, uma das três maiores editoras francesas. Recusado. No ano seguinte, nova oferta; nova recusa.
Anne, filha de Laffont – e que tinha sua própria editora – passava as férias em Ibiza, quando ganhou uma cópia do livro em inglês.
“Por que não editou?”, perguntou ao pai. “Já foi recusado duas vezes”, respondeu Laffont.
Anne descobriu o motivo; a brasileira encarregada da seleção nem o tinha aberto, alegando que não era considerado pela crítica.
“Pois vou editá-lo”, disse Anne. “E farei o melhor”.
O livro saiu, e em dois meses estava no topo da lista dos mais vendidos, onde permaneceu pelo tempo recorde de 137 semanas, além de ser muito elogiado pela crítica local. Seis meses depois, Anne me telefonou:
“Mande um presente a brasileira que recusou seu livro. Há três anos, seria apenas lançamento perdido no meio de outros. Agora foi um desafio pessoal meu, e eu não podia passar vergonha diante o meu pai. Maktub!”.

sábado, 14 de agosto de 2010

"Do amor" - Paulo Coelho

"Santo Agostinho escreveu que, da mesma maneira que uma cidade precisa de leis para que seus habitantes possam viver juntos, o homem precisa de uma única lei – o Amor – para conviver em paz com o mundo espiritual.
Outras pessoas falaram sobre esta verdade universal:
“O verdadeiro amor não pede recompensa, mas merece uma” (São Bernardo de Claivaux). “O amor é Deus; e a morte  significa  que uma  gota  deste amor deve retornar a sua fonte”  (Tolstoi).  “As verdades de amor são como o oceano: transparentes apenas nos lugares superficiais” (Patmore).
“Quanto mais amamos alguém, mais penetramos nos mistérios de todos” (Jalal-Ud-Dim). “Onde existe a possibilidade  de  ódio, existe também a possibilidade  de  amor; basta fazer uma escolha”(Tillich)."